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Arquivo mensal: março 2011

Pra quem não sabe, todo o conteúdo deste blog – e de tudo o que eu escrevo, fotografo e gravo em todas as minhas redes sociais digitais – está sob licença Creative Commons – Atribuição. Ou seja, todo o conteúdo que eu produzo pode ser distribuído, copiado e utilizado, inclusive para fins comerciais, desde que me seja dado o devido crédito em todos os meios de divulgação. Para alguns, isso pode parecer um total desapego ao que eu produzo. E é.

Demorou, mas eu entendi que uma das coisas que mais me faziam feliz era compartilhar o meu conhecimento. Conhecimento só é poder se for compartilhado. Qual o poder que eu quero? Quero ser reconhecida pelo que produzo, ser referência.  E o quê este poder pode me dar? Um bom emprego, trabalhar com o que eu gosto, alimentar meu ego, enfim. Pode parecer mesquinho de minha parte, dar algo em troca apenas para receber, mas é assim que funciona. Sem hipocrisia.

Aprendi a praticar o desapego nas aulas de Gestão do Conhecimento, quando debatemos sobre como gerenciar algo que está na cabeça das pessoas, e não tem como ser estocado, vendido ou emprestado. Não entra na declaração de patrimônio da empresa, mas é algo que elas cada vez mais buscam. Apenas há pouco tempo algumas empresas brasileiras vêm prestando atenção nisso: de como seus funcionários acumulam informações ao longo de seus anos de trabalho e, quando vão embora, é aquele deus-nos-acuda para substituí-lo, pois nenhum outro está capacitado para assumir suas funções. Numa empresa bem orientada para tal, este funcionário não deveria deter todo o conhecimento sozinho, ele deveria compartilhar seu saber com outros ou, no mínimo, deixar uma mémória sobre o seu trabalho, orientando novos funcionários. [não vou entrar muito na Gestão do Conhecimento neste post  porque é um assunto muito amplo. Prometo dissertar mais sobre em outros posts].

Pensando nisso tudo, percebi que não deixava uma memória das coisas que eu sei. Que se eu morresse amanhã, nada do que eu sei poderia ser compartilhado com alguém. E como já disse anteriormente, uma das coisas que eu mais gosto é de compartilhar conhecimento. E de quê adiantaria se meu conteúdo contivesse normas que o impedissem de ser difundido por aí? Por isso, qualquer um que quiser utilizar algum conteúdo meu para qualquer fim, inclusive comercial, pode fazê-lo, desde que cite a fonte.

O homem produz e divulga seu conhecimento desde sempre: ainda hoje vemos inscrições em cavernas, provavelmente algum guia do homem pré-histórico sobre caçadas e coisas do seu cotidiano. Os sumérios e a “invenção” da escrita, a utilização de pergaminhos, tábuas de pedra, madeira e barro, que ainda conservam registros antigos mesmo depois de milênios. A invenção do papel, da prensa de Gutenberg, do rádio, da TV, da internet…  Muitas foram as evoluções dos meios de comunicação, que por consequência são os meios que armazenamos todo o conhecimento que produzimos.

Eu escolhi um bloguezinho humilde, sem domínio e um layout decentes ainda, mas com capacidade de ser encontrado pelos buscadores e ajudar aquele carinha lá longe a tirar uma dúvida sobre search engine marketing. E neste dia, tudo terá valido a pena [bonito isso, não?]. Não sei se isso só acontece comigo, mas sempre que escrevo sinto que estou aprendendo mais. É como se aquele tanto de dados e informações (sim, porque uma coisa, é uma coisa, e outra coisa é outra coisa) que estão na minha cabeça se organizasse e tcha-nan! O conhecimento se fez em algumas palavras.

E você, como está compartilhando seu conteúdo?

Um pouco mais sobre CC

Conheci o Creative Commons ainda na faculdade, quando estudava algumas coisas sobre direito autoral na internet. Na época o Gilberto Gil era ministro da Cultura, e foi um dos caras quem mais apoiou o Creative Commons, o software livre e outras iniciativas semelhantes.

Didaticamente, o Creative Commons é um modelo de gestão autoral, presente em mais de 40 países, que permite que autores e criadores de conteúdo, como músicos, cineastas, escritores, fotógrafos, blogueiros, jornalistas e etc, possam permitir alguns usos dos seus trabalhos por parte da sociedade.

Você pode escolher algumas licenças para escolher, e você tem uma breve descrição delas neste link aqui, ó. E você pode saber  mais sobre o Creative Commons no site do projeto.

Os terremotos e tsunamis do Japão, que aconteceram nesta última sexta, 11 de março, me deixaram realmente triste. O Japão é um país que admiro bastante, desde o Jaspion, quando era criança, passando por seus produtos tecnológicos  e pela capacidade do país se reerguer perante as dificuldades pelas quais já passou.

O que mais me surpreendeu foi a velocidade com que os japoneses mostraram ao mundo o que estava acontecendo. Instantaneamente ao início dos terremotos, já víamos diversos tweets a respeito, vídeos no YouTube e até um link ao vivo de uma TV. Algumas pessoas compararam com o tsunami de 2004, que já teve uma boa cobertura pelas pessoas que estava em meio ao caos. A diferença é que a maioria dos vídeos de 2004 foram postados posteriormente. Os dos Japão, praticamente em real time, e com uma qualidade surpreendente.

Devemos levar em consideração alguns pontos: tecnologicamente, o Japão é um país de ponta (não por acaso, eles já tem internet de 42 mbps, e provavelmente a preços bem razoáveis), além dos japoneses também terem uma cultura de utilização de redes sociais digitais (fato confirmado, pois a maior parte das informações sobre as pessoas estão nas redes sociais digitais).

Originalmente, este post falaria somente sobre o estudo da Cisco que aponta que o vídeo na internet será responsável por 57% de todo o tráfego internet em 2014, com um crescimento médio, de 30% ao ano. Mas o caso Japão caiu como luva para ilustrar o que eu penso e para confirmar os dados a seguir.

O estudo levanta alguns números interessantes:

  • O tráfego mundial  irá quadruplicar entre 2009 e 2014. Em escala global, o tráfego crescerá a uma taxa de 34% ao ano.
  • Levaria mais de dois anos para ver a quantidade de vídeo que deverão ser postados a cada segundo em 2014.
  • Levaria 72 milhões ano para ver a quantidade de vídeo que irá cruzar redes de IP mundial em 2014.
  • Mundialmente,  os vídeos online superaram 1 bilhão de usuários até o final de 2010. Esse número de pessoas é apenas ultrapassado pelas populações da China (1,3 bilhões) e Índia (1,1 bilhões), tornando este grupo de usuários equivalente ao terceiro maior país do mundo.
  • A soma de todas as formas de vídeo (TV, vídeo sob demanda, internet e P2P) continuará a ultrapassar 91% do tráfego em 2014, e somente os vídeos da web será responsável por 57% de todo o tráfego internet naquele ano.
  • A demanda de vídeos em 3D e HD aumentará 23 vezes entre 2009 e 2014. Em 2014, a quantidade de vídeos em 3D e HD na web será de 46% do consumo de tráfego de vídeo na web.
  • As vídeo chamadas têm apresentado um crescimento elevado, e irá aumentar sete vezes entre 2009 a 2014.

Sem querer profetizar, mas baseado nos dados da Cisco e no que vi recentemente no Japão (daí o motivo que me fez reeditar o post todo), o futuro da internet será cada vez menos textual, e cada vez mais fundamentado em vídeos. O YouTube, apesar dos prejuízos que ainda dá à Google (pelo menos até 2009), tem grande potencial para se tornar o que o buscador Google é hoje: o grande buscador de informação (e marmotagens também).

Quando a internet for uma questão de cesta básica (e não de luxo, como é hoje para muitos países), cada vez mais notícias chegarão até as pessoas sem interferências e no menor tempo possível. E o vídeo é uma das formas mais rápidas disso acontecer.

A popularização da banda larga, 3G e telefones e smartphones com câmeras nos mostrarão o mundo, com suas tragédias e belezas, quase em tempo real. E não só na mão da imprensa, mas nas diversas pessoas que presenciam os fatos ao vivo, e são as melhores fontes de informação.