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Arquivo mensal: março 2012

~Bola de cristal que me faz sonhaaar~

Semana passada havia conversado com a Adriana Torres sobre as mudanças no mercado de comunicação digital de Belo Horizonte. Um dia antes, já havia tido conversa semelhante com o Marcus também sobre o mercado mineiro.

Trabalhei numa agência exclusivamente digital durante três anos e quatro meses, e há pouco mais de um mês estou numa agência de comunicação que abriu recentemente um núcleo digital, para atender as demandas dos seus clientes. Nesses quase quatro anos de mercado consegui tirar algumas conclusões ( e vocês podem concordar ou não com elas, e até me fazer mudar de opinião). E vou ainda pegar minha bola de cristal (porque sim, gostamos de fazer previsões para o futuro também) e tecer minhas considerações sobre o futuro do mercado. Vamos lá:

1. O cliente, quase sempre, vai preferir que apenas uma agência cuide da sua campanha. Pra mim, não existe essa coisa de “uma campanha pro ambiente digital e outra campanha pro off”. Bestagem. Seu consumidor, mais do que nunca, está integrado nos dois ambientes. A campanha deve ser harmônica, coesa, integrada, e respeitar a mesma identidade e conceitos em ambos. Cansei de ver campanhas destoantes no ambiente digital e no offline, sem contar quando uma parecia ignorar o acontecimento da outra, sem apoiar integralmente a ação. Perde o cliente, perde o cliente do cliente e perdem as duas agências. E muitas vezes eu me perguntei por quê, Deus, por quê as campanhas não poderiam ser integradas? Não seria tão simples? Se não tivesse a fogueira da vaidade de ambos os lados, seria sim. Um mundo perfeito.

2. A agência offline fecha as ações digitais num preço aparentemente mais barato. Sim, porque ela coloca no “pacotão”, tira um pouquinho mais na mídia (porque mídia offline ainda rende aquele BV esperto). Tira dali, põe aqui e rola fazer um precinho aparentemente mais camarada. Se discriminados os valores, os preços serão bem semelhantes aos da agências digitais. O BV pesa, e muito, ainda mais se pensarmos que, as agências digitais trabalham basicamente com links patrocinados (Google AdWords, Facebook Ads) que, teoricamente, não pagam BV. Aí geralmente elas cobram para criar a campanha e pela manutenção. E sabemos que cliente quase sempre vê nessas coisas um gasto, e não um investimento. As agências off, teoricamente, não cobram para criar, planejar e fazer manutenção de campanha. Elas conseguem cobrir esse “prejuízo” com os BV’s dos anunciantes.

3. É mais fácil pra uma agência off criar um núcleo web do que uma agência digital criar um núcleo off. É uma coisa que depende muito do planejamento de cada empresa, mas normalmente as agências off têm mais bala na agulha pra implantar o setor web (ou digital)  do que o contrário. Grandes agências já fizeram isso, e com sucesso. E não conheço nenhum caso contrário que tenha dado certo. Outra tendência é que as agências digitais e as off iniciem um processo de fusão/parceria, aproveitando a expertise uma da outra e os clientes. Elas não são vistas mais como agência on/off, mas como uma agência de comunicação integrada. Ou comunicação, simplesmente.

E acredito que seja esse o caminho para as agências digitais hoje: integrar-se com as agências off. Durante muito tempo, ambas conviveram bem no mesmo ambiente, colaborando entre si, indicando clientes. Até que as agências off começaram a perceber que estavam perdendo uma grana boa, que estava indo para as campanhas digitais. Com o crescimento do consumo de mídia digital e blá blá blá, elas se atentaram para a mina de dinheiro que estavam perdendo e, o que era pior, iriam perder no futuro, já que a verba para as mídias digitais não para de crescer.

Alertas a isso, as grandes agências criaram seus setores de criação digital, e recentemente agências on e off começam o processo de fusão. Ninguém quer perder o dinheiro desses tempos de crescimento da economia brasileira, ao qual podemos nos dar o luxo de sambar  na cara dos europeus e emprestar dinheiro a eles. É muita prosperidade pra pouco país.

É o fim das agências digitais? Não, eu não declaro a morte nem do Ulisses Guimarães. Mas uma coisa é certa: do jeito como a maioria está formatada hoje, não restará outra saída a não ser a fusão para sobreviver. Outra saída é reinventar-se e provar que elas podem trabalhar com as agências off de um modo simbionte e agregar mais valor para o cliente do que os núcleos digitais das off, mas vejo pouquíssimas inseridas nesse contexto de inovação hoje.

Enfim, mamilos expostos, opinem. Concordem, discordem, argumentem.

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