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Mídias sociais

O salário é pura ilusão, e as funções são muito mais do que estas

O Ciro de Oliveira me pediu umas dicas para quem pretende trabalhar com mídias sociais. Fiquei pensando, e percebi que tudo o que eu teria que falar pra ele não caberia em 140 caracteres. Mas caberia num tweet, se eu fizesse um post (rá!). Talvez um dos mais didáticos que vou fazer por aqui (acho que já disse a vocês que esse não era muito o objetivo deste humilde blog). Pois bem, vamos lá.

Pra quem não sabe, trabalho com mídias sociais há quase 3 anos. Antes eu era só uma usuária (dorgas, manolo), que gastava boas horas do dia perdida no meio de fotos e links engraçadinhos. A primeira coisa para se trabalhar com mídias sociais veio daí: ter intimidade com os canais. Não basta apenas conhecê-los de nome. Tem que fuçar. Fuçar muito. Descobrir como os usuários interagem ali e o que os motiva estar ali. O profissional de mídias sociais tem que entrar nestes canais como participantes, usuários comuns, mas também estar atento a tudo que está sendo exposto ali, para analisar as tendências que estão sendo discutidas pelos usuários (doooorgas).

Para entrar neste mundinho descolado também tem que saber conversar em diversas linguagens, de acordo com cada público. Num mesmo dia, você poderá falar para clientes de um banco super conservador e, dali há 5 minutos estar atendendo a uma galera mega agitada de uma casa de shows. O profissional de mídias sociais transita entre estes e outros vários mundos, e ele deverá adequar seu discurso para cada um deles. Além de criar promoções, resolver problemas, tirar dúvidas e agradecer a um elogio. Versatilidade e jogo de cintura são duas qualidades essenciais para quem quer ser social media. Destaco também uma cultura geral apurada, coisa que a versatilidade exige. Além de ser curioso, tem que saber pesquisar também: faça do Google uma extensão da sua mente, esse é o mantra.

Falando em problemas, ele deve ter  paciência e muito poder de negociação para lidar com eles. Lembre-se: ele está entre duas partes, cada uma com um interesse diferente, e uma de suas funções é conciliar toda essa bagunça. Atender aos interesses do cliente (da marca que você representa) e do cliente do cliente. Não é simples e, pra ser sincera, muitas vezes você acaba se estressando com tudo isso.

O social media também tem que ser aquele cara que não faça cara feia para os relatórios. Não precisa ser O cara dos números, mas deve ter um bom conhecimento de métricas para se virar bem, entender os números gerados pelas ferramentas e tecer algumas conclusões sobre eles. E acredito que este seja um diferencial dos mais importantes: gerar números e transcrevê-los, qualquer ferramenta faz. Interpretá-los, chegar a algumas conclusões sobre eles e apresentar soluções para os problemas é que separa os xoxial media dos verdadeiros profissionais de mídias sociais.

E aí entramos em outra característica: apresentar boas alternativas para resolver problemas. Para isso, é preciso estar atento às tendências, entender o público com o qual você se relaciona (é preciso ter um bom conhecimento sobre economia, psicologia, culinária, meteorologia, física quântica – brinks –  e comunicação, além de saber muito sobre o negócio do cliente ou da empresa). Apresentar soluções práticas e, de preferência, que atinjam ao público rapidamente.

E “rapidamente“é um advérbio bastante usado para quem trabalha nesta área: não é exagero dizer que tudo é pra ontem. As crises devem ser resolvidas imediatamente, as dúvidas devem ser respondidas na hora, enfim… Trabalhar sobre pressão faz parte, e quem quer se aventurar na área tem que ter sangue frio e ser bastante racional, sem esquecer que o relógio está correndo.

Esteja sempre atualizado. Vá em palestras e eventos que falem de mídias sociais. Podem ser temas que você já está cansado de ouvir, mas vale, principalmente pelo networking, que significa mais do que qualquer palestra. A maioria das palestras que eu vou hoje são sobre assuntos que eu já conheço o suficiente. Mas conheci boa parte do mercado web de Belo Horizonte nestes eventos, e esta rede é importante se você pretende trabalhar na área de comunicação digital (não só nesta, mas em qualquer área, networking é importantíssimo).

Mesmo com tantas responsabilidades e coisinhas complicadas, trabalhar com mídias sociais é prazeroso. Principalmente para quem tem fome de aprender. Todo dia surge algo novo, e aquilo que você acha que já sabe o suficiente, te surpreende e revela uma nova utilidade, uma nova tendência. Realmente, não podemos reclamar de rotina. E lembre-se: estamos lidando com pessoas. Pessoas são seres surpreendentes, pro bem, e infelizmente pro mal também. Mas nesse tempo todo, as surpresas positivas foram bem mais intensas que as negativas.

Formação

Eu já falei por aqui mesmo que há poucos cursos na área, a maioria deles é de pós-graduação ou cursos rápidos, com duração média de 16h. Quando formo minhas equipes, prefiro trabalhar com profissionais de comunicação, pois entendo que o quê fazemos é basicamente comunicação e relacionamento entre pessoas. Nada impede, no entanto, que profissionais de outras áreas trabalhem com mídias sociais, desde que tenha facilidade em se comunicar.

O que eu vejo nas graduações é que o conteúdo sobre mídias sociais ainda é pouco discutido, talvez pela novidade do tema e a falta de conhecimento sobre o assunto de alguns professores. Durante a minha graduação (formei há quase 3 anos), tive apenas uma disciplina que falava disso, com o professor Leo Magno. Nas outras aulas, o assunto era ignorado.

E muito do que aprendi foi por conta própria. Assisti a muitas palestras, li muitos blogs e acompanhei pelo Twitter gente que também estava começando a trabalhar na coisa. Muita coisa tive que quebrar a cabeça sozinha, pois não encontrei ninguém que falasse sobre o tema. E aprendi coisa demais assim, e sei que ainda tenho mais o que aprender. Esta, inclusive, é uma das coisas que a gente vê que é verdade: “só sei que nada sei”, disse Sócrates há muitos anos atrás. Gênio.

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