Depois de uma longa temporada sem postar por aqui – e bota longa nisso – voltemos aos trabalhos.

A primeira pausa foi por causa do término da pós, a entrega do abençoado TCC (que será postado em breve aqui) , que veio seguido das merecidas férias de 30 dias e a volta meio corrida à rotina. Mas estamos aqui, é o que interessa, e com um assunto daqueles que rende. Então senta que lá vem história.

Eu procurava um tema pro post de volta,  no meio de tantas ideias. Mas o que me instigou foi… o Miss Universo. Há muito tempo atrás, lembro que as misses tinham um pouquinho mais de curvas, se preocupavam com a paz mundial e liam O Pequeno Príncipe, de Saint-Exupéry.

Foi uma frase do Antoine de Saint-Exupéry que me trouxe uma lição que podemos aplicar no marketing : “tu te tornas eternamente  responsável por aquilo que cativas”. O “aquilo que cativas”, no marketing, nada mais é que o cliente. É por ele (ou pelo dinheiro dele, como quiserem os mais sarcásticos) que pensamos campanhas que atraiam sua atenção, que desenvolvemos soluções para facilitar sua vida e por quem batalhamos de sol a sol nas firmas desse mundão.

Conquistar o cliente não é fácil: exige investimento em marketing, em publicidade, em pesquisa, em readequação do produto ou serviço, enfim… Uma trabalheira danada pra cativá-lo e, quem sabe, no melhor dos mundos, fidelizá-lo.  Lembrando que, o processo de compra consumidor tem que ter um motivo, uma necessidade. E esse processo é longo, amigues: Blackwell, em Consumer Behavior,  considera sete estágios – reconhecimento da necessidade, busca de informações, avaliação de alternativas pré-compra, compra, consumo, avaliação pós-consumo e descarte.

O marketing e a publicidade atua fortemente nos estágios de busca de informações e avaliações de alternativas pré-compra, que é quando se toma a decisão. Conquista-o ou perde-o neste estágio: cada um luta com as armas que tem, e elas são inúmeras, e vão de preço, a inovação, passando por usabilidade, e outras tantas características que são os diferenciais competitivos de cada produto ou serviço.

Por isso eu repito: é uma labuta conquistar um cliente. Mantê-lo, ou o “eternamente responsável”, mais complicado ainda. Basta um deslize para perdê-lo rapidamente para o concorrente, principalmente em tempos de pouquíssima diferenciação dos produtos e serviços e variedade de marcas.

Vocês, leitores antenados, devem ter ouvido falar da tal da campanha “Pepsi em Dobro“, que prometia um “leve dois, pague um”, e a insatisfação de vários clientes e donos de supermercado por causa da logística furada da Ambev. A promoção prometeu, muita gente se dispôs a levar a Pepsi ao invés da Coca Cola, que reina absoluta no mercado, e muita gente desistiu ali mesmo e acabou tendo um motivo a mais pra gostar da Coca.

Depois da bagunça toda, que aconteceu num fim de semana, a Ambev chega numa segundona agradecendo o “sucesso” da promoção, e vangloriando de ter sido líder de mercado por dois dias. Francamente, Pepsi. Ser líder de mercado por dois dias (oi?) e despertar a ira de diversos clientes, que provavelmente não comprarão mais seu produto…

Em alguns países, Coca e Pepsi concorrem quase pau a pau, geralmente com ligeira vantagem pra um ou pra outro. No Brasil, a Coca reina soberana, e sua preferência, eu diria, é mais cultural do que realmente pautada no sabor (sim, sei que muitos devem discordar disso, mas…). E não é fácil uma ação de marketing conseguir estimular o consumidor a substituir uma marca que já faz parte há tanto tempo da sua vida.

Se eu fosse do departamento de marketing da Coca Cola, estaria rindo de orelha a orelha por essa campanha da Pepsi. Líder por dois dias mas, depois, sendo rejeitada com cara ruim pelos consumidores, não cativados, mais uma vez.

– Me traz uma Coca
– Tem Pepsi, pode ser? diz o garçom.
– Um suco de laranja, então, sem açúcar! decreta o cliente.

O salário é pura ilusão, e as funções são muito mais do que estas

O Ciro de Oliveira me pediu umas dicas para quem pretende trabalhar com mídias sociais. Fiquei pensando, e percebi que tudo o que eu teria que falar pra ele não caberia em 140 caracteres. Mas caberia num tweet, se eu fizesse um post (rá!). Talvez um dos mais didáticos que vou fazer por aqui (acho que já disse a vocês que esse não era muito o objetivo deste humilde blog). Pois bem, vamos lá.

Pra quem não sabe, trabalho com mídias sociais há quase 3 anos. Antes eu era só uma usuária (dorgas, manolo), que gastava boas horas do dia perdida no meio de fotos e links engraçadinhos. A primeira coisa para se trabalhar com mídias sociais veio daí: ter intimidade com os canais. Não basta apenas conhecê-los de nome. Tem que fuçar. Fuçar muito. Descobrir como os usuários interagem ali e o que os motiva estar ali. O profissional de mídias sociais tem que entrar nestes canais como participantes, usuários comuns, mas também estar atento a tudo que está sendo exposto ali, para analisar as tendências que estão sendo discutidas pelos usuários (doooorgas).

Para entrar neste mundinho descolado também tem que saber conversar em diversas linguagens, de acordo com cada público. Num mesmo dia, você poderá falar para clientes de um banco super conservador e, dali há 5 minutos estar atendendo a uma galera mega agitada de uma casa de shows. O profissional de mídias sociais transita entre estes e outros vários mundos, e ele deverá adequar seu discurso para cada um deles. Além de criar promoções, resolver problemas, tirar dúvidas e agradecer a um elogio. Versatilidade e jogo de cintura são duas qualidades essenciais para quem quer ser social media. Destaco também uma cultura geral apurada, coisa que a versatilidade exige. Além de ser curioso, tem que saber pesquisar também: faça do Google uma extensão da sua mente, esse é o mantra.

Falando em problemas, ele deve ter  paciência e muito poder de negociação para lidar com eles. Lembre-se: ele está entre duas partes, cada uma com um interesse diferente, e uma de suas funções é conciliar toda essa bagunça. Atender aos interesses do cliente (da marca que você representa) e do cliente do cliente. Não é simples e, pra ser sincera, muitas vezes você acaba se estressando com tudo isso.

O social media também tem que ser aquele cara que não faça cara feia para os relatórios. Não precisa ser O cara dos números, mas deve ter um bom conhecimento de métricas para se virar bem, entender os números gerados pelas ferramentas e tecer algumas conclusões sobre eles. E acredito que este seja um diferencial dos mais importantes: gerar números e transcrevê-los, qualquer ferramenta faz. Interpretá-los, chegar a algumas conclusões sobre eles e apresentar soluções para os problemas é que separa os xoxial media dos verdadeiros profissionais de mídias sociais.

E aí entramos em outra característica: apresentar boas alternativas para resolver problemas. Para isso, é preciso estar atento às tendências, entender o público com o qual você se relaciona (é preciso ter um bom conhecimento sobre economia, psicologia, culinária, meteorologia, física quântica – brinks –  e comunicação, além de saber muito sobre o negócio do cliente ou da empresa). Apresentar soluções práticas e, de preferência, que atinjam ao público rapidamente.

E “rapidamente“é um advérbio bastante usado para quem trabalha nesta área: não é exagero dizer que tudo é pra ontem. As crises devem ser resolvidas imediatamente, as dúvidas devem ser respondidas na hora, enfim… Trabalhar sobre pressão faz parte, e quem quer se aventurar na área tem que ter sangue frio e ser bastante racional, sem esquecer que o relógio está correndo.

Esteja sempre atualizado. Vá em palestras e eventos que falem de mídias sociais. Podem ser temas que você já está cansado de ouvir, mas vale, principalmente pelo networking, que significa mais do que qualquer palestra. A maioria das palestras que eu vou hoje são sobre assuntos que eu já conheço o suficiente. Mas conheci boa parte do mercado web de Belo Horizonte nestes eventos, e esta rede é importante se você pretende trabalhar na área de comunicação digital (não só nesta, mas em qualquer área, networking é importantíssimo).

Mesmo com tantas responsabilidades e coisinhas complicadas, trabalhar com mídias sociais é prazeroso. Principalmente para quem tem fome de aprender. Todo dia surge algo novo, e aquilo que você acha que já sabe o suficiente, te surpreende e revela uma nova utilidade, uma nova tendência. Realmente, não podemos reclamar de rotina. E lembre-se: estamos lidando com pessoas. Pessoas são seres surpreendentes, pro bem, e infelizmente pro mal também. Mas nesse tempo todo, as surpresas positivas foram bem mais intensas que as negativas.

Formação

Eu já falei por aqui mesmo que há poucos cursos na área, a maioria deles é de pós-graduação ou cursos rápidos, com duração média de 16h. Quando formo minhas equipes, prefiro trabalhar com profissionais de comunicação, pois entendo que o quê fazemos é basicamente comunicação e relacionamento entre pessoas. Nada impede, no entanto, que profissionais de outras áreas trabalhem com mídias sociais, desde que tenha facilidade em se comunicar.

O que eu vejo nas graduações é que o conteúdo sobre mídias sociais ainda é pouco discutido, talvez pela novidade do tema e a falta de conhecimento sobre o assunto de alguns professores. Durante a minha graduação (formei há quase 3 anos), tive apenas uma disciplina que falava disso, com o professor Leo Magno. Nas outras aulas, o assunto era ignorado.

E muito do que aprendi foi por conta própria. Assisti a muitas palestras, li muitos blogs e acompanhei pelo Twitter gente que também estava começando a trabalhar na coisa. Muita coisa tive que quebrar a cabeça sozinha, pois não encontrei ninguém que falasse sobre o tema. E aprendi coisa demais assim, e sei que ainda tenho mais o que aprender. Esta, inclusive, é uma das coisas que a gente vê que é verdade: “só sei que nada sei”, disse Sócrates há muitos anos atrás. Gênio.

Você sabe o bastante sobre as marcas? O Brand Wonderland te desafia a encontrar 60 marcas. Algumas são bastante óbvias,  mas outras são meio complicadas de perceber, principalmente se você não as conhece. O joguinho é da agência russa Paradigma.

A Carol Presotti me deu a dica e acabou com a minha tarde, já que gastei mais ou menos uma hora pra encontrar todas as marcas.

Bom divertimento (ou procrastinação)!

O post de hoje é bem cheio de lembranças minhas e as experiências que tive com a tecnologia desde que eu era criança. Os sociólogos me enquadraram na Geração Y: nasci entre os anos de 1978 e 1990 (1985, pra ser mais exata), numa época cheia de quebras de tabus e de grandes mudanças sociais, em que a tecnologia ficou mais acessível, e nos aproveitamos bem disso.

Lembro-me de que, quando era criança, a nossa TV era preto e branca e caixa de madeira. Em Bonfim, pelo menos, eram mais raras as TV’s em cores, mesmo porque a imagem lá não era muito boa: as antenas UHF demoraram a chegar por lá, e ainda não funcionam muito bem, mas foram substituídas por antenas parabólicas. Meu pai tinha um rádio a pilha, que eu achava o máximo, e minha avó uma vitrola (ou toca-discos) e diversos discos do Barnabé (um piadista caipira que eu adorava). Essas eram as primeiras tecnologias que tive contato, e mesmo antes dos 5 anos já dominava relativamente bem.

Não demorou muito para meus pais comprarem uma TV a cores com controle remoto. Ganhei um walkman da Sony, um rádio com toca-fitas e uma máquina fotográfica Yashica. Nessa época minha diversão era gravar e desgravar fitas cassete, montar playlists (essa palavra não existia na época, acho) com minhas músicas favoritas, gravar gols do Galo e montar programinhas de rádio. Eu dominava melhor que meus pais o controle remoto e resolvia problemas de sintonia de canais e imagem muito bem, além de fotografar razoavelmente para uma criança de 8 anos de idade. Logo em seguida veio o videocassete e as primeiras locadoras em Bonfim (quem aí se lembra que tinha que devolver a fita rebobinada?) e a gravar programas de TV: a maior diversão era programar o vídeo para gravar filmes que passavam de madrugada. Mais ou menos por aí eu também fazia meu curso de datilografia  – sim, em máquinas de escrever, duras, mas charmosísimas.

Eu ficava muito tempo sozinha em casa: minha mãe trabalhava o dia todo, meu pai idem. Por isso, ela me enchia de livros, revistinhas da Turma da Mônica (ganhava assinaturas todos os anos, desde que comecei a ler) e outras coisas educativas para que eu não ficasse o dia todo na frente da TV. Mas era inevitável: programas de TV sempre foram minha companhia mais frequente, muitas vezes minha babá. E creio que com boa parte da Geração Y tenha sido assim também.

Já adolescente, ganhei um disk man, microssistem (com fita cassete, que eu ainda adorava, mas também CD player) e meu computador, que saiu na troca pela festa de 15 anos. Era um k6-2 modesto, além de uma impressora HP jato de tinta, que consumia horrores. Nesta minha fase “geek caipira” aprendi praticamente tudo que sei hoje de computador sozinha, ou com manuais de informática do meu tio. Praticamente um ano depois é que abriu o primeiro curso de informática em Bonfas City, e que minha mãe fez questão de me matricular. Modéstia às favas, eu já sabia o suficiente no curso pra ensinar os colegas mais atrasados. Efetivamente, a única coisa que aprendi foi a usar mais ou menos o Excel.

Acessar internet era complicado: os provedores gratuitos, como iG e Pop não funcionavam lá (tinha um motivo, não me lembro qual), e a única coisa que salvava era o discador da Intelig, no qual eu pagava R$ 0,23 por minuto de internet utilizada, na velocidade da discada. Não era fácil, meu povo. Meu quarto vivia abarrotado de disquetes, CD’s e outras coisas cretinas que salvava toda vez que vinha em BH visitar os primos, e acessar a internet era mais fácil. Numa dessas criei meu primeiro e-mail no iG, meu ICQ…

Madrugadas desperdiçadas no bate-papo do UOL, nos blogs das amigas (que eram somente diários virtuais, mesmo). Nessa época, o Google ainda era meio desconhecido por aqui (e exibia seus resultados em ordem alfabética!), e o Cadê? reinava soberano… Eu pensava o Submarino como uma coisa que eu jamais usaria. Meu celular era um Siemens A-70 básico, daqueles que aguenta qualquer pancada e com pouquíssimos recursos. Nessa época parei de usar relógio de pulso e despertador.

Em seguida veio o orkut, e conseguir um convite era tarefa complicada. A mesma coisa com o gmail (amor à primeira vista). Mas aí eu já era grandinha, e já não via tudo mais com olhos deslumbrados de uma criança, mas como coisas essenciais do meu dia-a-dia. Aquele meu k6-2 foi deixado de lado (nem sei se funciona mais), e adotei um notebook, hoje menos usado do que meu smartphone com Android. Alguns gadgets comprados há pouco mais de um ano estão obsoletos e com menos anos de uso do que muitos dos que tive no passado. Larguei os disquetes (que sempre perdia na faculdade) e os CD’s regraváveis, tenho pendrives que carregam muito mais coisas, ou simplesmente salvo na nuvem. O disk man e o walkman deram lugar a pequenos tocadores de mp3, que já foram substituídos pelo smartphone.

Me chamam de Y, mas… 

Sempre fui multitarefa: estudava, ouvia rádio e  assistia TV ao mesmo tempo, e ninguém acreditava que eu poderia aprender alguma coisa. E hoje isso é muito comum. Trabalhamos (sim, na 1ª pessoa do plural, porque acho que a maior parte de vocês trabalha assim também) com dois navegadores ou até mais, cada um com diversas abas e com um programa diferente. Trabalhamos ouvindo música, vendo vídeos e conversando com os amigos nos talks da vida. E conseguimos render bem, ainda assim.

Fomos acostumados com uma avalanche de informações todos os dias, e talvez por isso nossa memória guarde menos coisas do que as dos nossos pais. Mas temos tudo digitalizado a um clique de distância ou a uma “googlada”. Liberamos nossas mentes para a criatividade, para escrevermos blogs (!), para pensarmos em sistemas complexos de compartilhamento de informações. Não somos mais inteligentes que as gerações anteriores, nem menos. Somos mais conectados.

E somos mais angustiados, por não dar conta de toda a informação que temos que processar. Somos mais ansiosos, nosso tempo é escasso e dormimos menos. Ainda jovens já apresentamos doenças relacionadas ao estresse. Ficamos deprimidos. Temos que render mais em menos tempo, lidar com pressões dos nossos diversos grupos sociais. É um preço a se pagar por estar sempre conectado. Se ele é alto demais, ou não, cabe a cada um decidir.

A geração Z, que vem após a nossa, nasceu mais conectado do que nós. Eles já encontraram internet em alta velocidade, tablets, enfim, uma tecnologia mais avançada. E sim, eles lidam com estes novos badulaques muito bem. Não saberemos se eles terão os mesmos problemas que nós (o ideal é que eles já vissem o que deu errado), mas com certeza eles encontrarão outros novos.

No fim das contas, não sei aonde chegaremos. Não consegui sequer achar um final decente para este post. Divaguei sobre a minha evolução junto com a tecnologia, tentando entender porque me taxaram numa geração. Entendo que elas são necessárias para o entendimento de uma geração para as futuras, mas não consigo me definir por uma letra. Sou mais complexa que um alfabeto inteiro.

Pra quem não sabe, todo o conteúdo deste blog – e de tudo o que eu escrevo, fotografo e gravo em todas as minhas redes sociais digitais – está sob licença Creative Commons – Atribuição. Ou seja, todo o conteúdo que eu produzo pode ser distribuído, copiado e utilizado, inclusive para fins comerciais, desde que me seja dado o devido crédito em todos os meios de divulgação. Para alguns, isso pode parecer um total desapego ao que eu produzo. E é.

Demorou, mas eu entendi que uma das coisas que mais me faziam feliz era compartilhar o meu conhecimento. Conhecimento só é poder se for compartilhado. Qual o poder que eu quero? Quero ser reconhecida pelo que produzo, ser referência.  E o quê este poder pode me dar? Um bom emprego, trabalhar com o que eu gosto, alimentar meu ego, enfim. Pode parecer mesquinho de minha parte, dar algo em troca apenas para receber, mas é assim que funciona. Sem hipocrisia.

Aprendi a praticar o desapego nas aulas de Gestão do Conhecimento, quando debatemos sobre como gerenciar algo que está na cabeça das pessoas, e não tem como ser estocado, vendido ou emprestado. Não entra na declaração de patrimônio da empresa, mas é algo que elas cada vez mais buscam. Apenas há pouco tempo algumas empresas brasileiras vêm prestando atenção nisso: de como seus funcionários acumulam informações ao longo de seus anos de trabalho e, quando vão embora, é aquele deus-nos-acuda para substituí-lo, pois nenhum outro está capacitado para assumir suas funções. Numa empresa bem orientada para tal, este funcionário não deveria deter todo o conhecimento sozinho, ele deveria compartilhar seu saber com outros ou, no mínimo, deixar uma mémória sobre o seu trabalho, orientando novos funcionários. [não vou entrar muito na Gestão do Conhecimento neste post  porque é um assunto muito amplo. Prometo dissertar mais sobre em outros posts].

Pensando nisso tudo, percebi que não deixava uma memória das coisas que eu sei. Que se eu morresse amanhã, nada do que eu sei poderia ser compartilhado com alguém. E como já disse anteriormente, uma das coisas que eu mais gosto é de compartilhar conhecimento. E de quê adiantaria se meu conteúdo contivesse normas que o impedissem de ser difundido por aí? Por isso, qualquer um que quiser utilizar algum conteúdo meu para qualquer fim, inclusive comercial, pode fazê-lo, desde que cite a fonte.

O homem produz e divulga seu conhecimento desde sempre: ainda hoje vemos inscrições em cavernas, provavelmente algum guia do homem pré-histórico sobre caçadas e coisas do seu cotidiano. Os sumérios e a “invenção” da escrita, a utilização de pergaminhos, tábuas de pedra, madeira e barro, que ainda conservam registros antigos mesmo depois de milênios. A invenção do papel, da prensa de Gutenberg, do rádio, da TV, da internet…  Muitas foram as evoluções dos meios de comunicação, que por consequência são os meios que armazenamos todo o conhecimento que produzimos.

Eu escolhi um bloguezinho humilde, sem domínio e um layout decentes ainda, mas com capacidade de ser encontrado pelos buscadores e ajudar aquele carinha lá longe a tirar uma dúvida sobre search engine marketing. E neste dia, tudo terá valido a pena [bonito isso, não?]. Não sei se isso só acontece comigo, mas sempre que escrevo sinto que estou aprendendo mais. É como se aquele tanto de dados e informações (sim, porque uma coisa, é uma coisa, e outra coisa é outra coisa) que estão na minha cabeça se organizasse e tcha-nan! O conhecimento se fez em algumas palavras.

E você, como está compartilhando seu conteúdo?

Um pouco mais sobre CC

Conheci o Creative Commons ainda na faculdade, quando estudava algumas coisas sobre direito autoral na internet. Na época o Gilberto Gil era ministro da Cultura, e foi um dos caras quem mais apoiou o Creative Commons, o software livre e outras iniciativas semelhantes.

Didaticamente, o Creative Commons é um modelo de gestão autoral, presente em mais de 40 países, que permite que autores e criadores de conteúdo, como músicos, cineastas, escritores, fotógrafos, blogueiros, jornalistas e etc, possam permitir alguns usos dos seus trabalhos por parte da sociedade.

Você pode escolher algumas licenças para escolher, e você tem uma breve descrição delas neste link aqui, ó. E você pode saber  mais sobre o Creative Commons no site do projeto.

Os terremotos e tsunamis do Japão, que aconteceram nesta última sexta, 11 de março, me deixaram realmente triste. O Japão é um país que admiro bastante, desde o Jaspion, quando era criança, passando por seus produtos tecnológicos  e pela capacidade do país se reerguer perante as dificuldades pelas quais já passou.

O que mais me surpreendeu foi a velocidade com que os japoneses mostraram ao mundo o que estava acontecendo. Instantaneamente ao início dos terremotos, já víamos diversos tweets a respeito, vídeos no YouTube e até um link ao vivo de uma TV. Algumas pessoas compararam com o tsunami de 2004, que já teve uma boa cobertura pelas pessoas que estava em meio ao caos. A diferença é que a maioria dos vídeos de 2004 foram postados posteriormente. Os dos Japão, praticamente em real time, e com uma qualidade surpreendente.

Devemos levar em consideração alguns pontos: tecnologicamente, o Japão é um país de ponta (não por acaso, eles já tem internet de 42 mbps, e provavelmente a preços bem razoáveis), além dos japoneses também terem uma cultura de utilização de redes sociais digitais (fato confirmado, pois a maior parte das informações sobre as pessoas estão nas redes sociais digitais).

Originalmente, este post falaria somente sobre o estudo da Cisco que aponta que o vídeo na internet será responsável por 57% de todo o tráfego internet em 2014, com um crescimento médio, de 30% ao ano. Mas o caso Japão caiu como luva para ilustrar o que eu penso e para confirmar os dados a seguir.

O estudo levanta alguns números interessantes:

  • O tráfego mundial  irá quadruplicar entre 2009 e 2014. Em escala global, o tráfego crescerá a uma taxa de 34% ao ano.
  • Levaria mais de dois anos para ver a quantidade de vídeo que deverão ser postados a cada segundo em 2014.
  • Levaria 72 milhões ano para ver a quantidade de vídeo que irá cruzar redes de IP mundial em 2014.
  • Mundialmente,  os vídeos online superaram 1 bilhão de usuários até o final de 2010. Esse número de pessoas é apenas ultrapassado pelas populações da China (1,3 bilhões) e Índia (1,1 bilhões), tornando este grupo de usuários equivalente ao terceiro maior país do mundo.
  • A soma de todas as formas de vídeo (TV, vídeo sob demanda, internet e P2P) continuará a ultrapassar 91% do tráfego em 2014, e somente os vídeos da web será responsável por 57% de todo o tráfego internet naquele ano.
  • A demanda de vídeos em 3D e HD aumentará 23 vezes entre 2009 e 2014. Em 2014, a quantidade de vídeos em 3D e HD na web será de 46% do consumo de tráfego de vídeo na web.
  • As vídeo chamadas têm apresentado um crescimento elevado, e irá aumentar sete vezes entre 2009 a 2014.

Sem querer profetizar, mas baseado nos dados da Cisco e no que vi recentemente no Japão (daí o motivo que me fez reeditar o post todo), o futuro da internet será cada vez menos textual, e cada vez mais fundamentado em vídeos. O YouTube, apesar dos prejuízos que ainda dá à Google (pelo menos até 2009), tem grande potencial para se tornar o que o buscador Google é hoje: o grande buscador de informação (e marmotagens também).

Quando a internet for uma questão de cesta básica (e não de luxo, como é hoje para muitos países), cada vez mais notícias chegarão até as pessoas sem interferências e no menor tempo possível. E o vídeo é uma das formas mais rápidas disso acontecer.

A popularização da banda larga, 3G e telefones e smartphones com câmeras nos mostrarão o mundo, com suas tragédias e belezas, quase em tempo real. E não só na mão da imprensa, mas nas diversas pessoas que presenciam os fatos ao vivo, e são as melhores fontes de informação.

Confesso que quando comecei a trabalhar com links patrocinados, não colocava muita fé neste tipo de publicidade. Eu, como heavy user, sempre os ignorei, até que fui estudá-los e vi o quão complexo era colocar uma campanha de links patrocinados no ar. Hoje, confesso que é um dos meus “divertimentos” preferidos – sim, às vezes confundo trabalho com diversão.

Para quem não sabe como funciona o AdWords, vai uma breve e tosca explicação: você escreve algumas palavras-chave que estão relacionadas ao seu produto/serviço. Estas palavras-chave, quando procuradas nos buscadores, podem exibir os anúncios que você mesmo escreveu. Claro que, para exibir estes anúncios, é cobrado um valor (e ainda se pode definir se o anunciante paga por clique no anúncio ou impressões, que é quantas vezes o anúncio é exibido). Parece simples, mas há muita estratégia de lances, escolha de palavras-chave e redação de anúncios bastante complexa, que um sobrinho pode até aprender a fazer, mas daí a ter a expertise e a esperteza (rá!) para definir, são outros quinhentos.

A maioria dos usuários hoje já “aprendeu” a ignorar os links patrocinados, e não têm muita fé neles, como nos resultados de busca. Depois que comecei a trabalhar com a ferramenta, confesso que voltei a prestar mais atenção aos links patrocinados e perdi meu preconceitos com os anúncios pagos, voltando a clicar neles. Mas isso só aconteceu porque os anúncios me chamaram a atenção e realmente eram o que eu procurava (ou seja, eram relevantes). Daí a necessidade de ter um cara que não é o sobrinho, mas um profissional que entenda um pouco de redação de anúncios, de palavras-chave e de SEO também.

E mesmo que muitos usuários tenham resistência aos anúncios pagos, outros tantos ainda clicam nos anúncios, gerando uma receita bilionária ao Google. E realmente, indico campanhas de links patrocinados para diversas ações de mídia que fazemos. E, para queimar a minha língua e jogar meu preconceito por terra, quase sempre elas geram retornos muito bons. #chupa, Janaina Oliveira.

Mas mesmo assim o atual modelo não me agrada tanto, e por mais que esteja faturando, em breve mostrará sinais de esgotamento. E o Google sabe disso. Tanto é que vem se preparando, investindo em outras plataformas e está casando o serviço com geolocalização e YouTube, sem deixar para trás o desenvolvimento para mobile. Um sinal disto é que Marissa Mayer foi transferida do setor de publicidade online para geolocalização.

Neste ponto, o Google começa a pensar o AdWords mais social e mais móvel. Redes sociais digitais em breve terão maior tráfego que websites e emails, e cada vez mais os smartphones e tablets  substituirão os desktops e notebooks.

Não podemos esquecer que os anúncios do Facebook andaram incomodando um pouco o Google. E eu particularmente gosto dos anúncios deles, do modo como são mais relevantes para o usuário e de como seu sistema trabalha para isso: toda vez que pedimos para remover um anúncio, o sistema pergunta porque não gostamos dele. Anúncios clicados por amigos têm grandes chances de ser exibidos para você, pois o sistema considera as afinidades entre vocês.

O sistema de publicidade do Facebook procura trazer aos usuários assuntos mais relevantes: ele vai aprendendo as suas preferências e rejeições para mostrar anúncios com maior possibilidade de conversão. E por isso mesmo, é menos intrusivo, passa muitas vezes despercebido pelo usuário, e já vem recebendo uma verba significativa nos investimentos em publicidade online.

E vocês, acham que os links patrocinados também precisam se reinventar?